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29/08/2017 - 21h37 FEZ DIFERENÇA

“A falta que ele faz” – Baú do Ninja relembra passagem marcante de Roberto Cavalcanti no Senado

Por Blog do Ninja

Aos 71 anos, Roberto Cavalcanti Ribeiro deixou seguramente uma lacuna impreenchível no Senado Federal. Atualmente, com estrita dedicação à família e aos seus empreendimentos, mas em pleno vigor físico e mental, não abre mão de expor suas ideias em colunas semanais reproduzidas em diversos veículos, a exemplo do nosso Blog do Ninja.

Pernambucano da cidade do Recife, economista e empresário bem-sucedido, chegou jovem à Paraíba para estudar, investir e construir família. Tendo como sua menina dos olhos, o Sistema Correio de Comunicação, Roberto Cavalcanti teve uma contribuição histórica no desenvolvimento econômico da Paraíba, gerando centenas de empregos e divisas, sempre apostando no futuro e na modernidade do nosso estado.

Eleito em 2002 pelo PRB, primeiro suplente do senador José Maranhão (PMDB), teve uma passagem brilhante no pouco tempo em que ocupou assento no Senado.

Em 2006, exerceu um mandato de 120 dias e denunciou a ausência de projetos estruturantes do Governo Lula no nosso Estado, como a embrionária Ferrovia Transnordestina, que cortaria os estados do Piauí, Ceará e Pernambuco, na qual a Paraíba injustamente não contaria com nenhum ramal. No mesmo ano, ainda na condição de suplente, apresentou Projeto de Lei que isentava do Imposto de Renda todos os aposentados portadores do Diabetes.

Em 2009, com a cassação do então governador Cássio Cunha Lima (PSDB) pelo TSE , José Maranhão renunciou o mandato de senador para assumir o Governo da Paraíba. Com o ato, Roberto Cavalcanti assumiu em definitivo a titularidade do mandato de senador até 1º de fevereiro de 2011.

Fortaleceu o seu mandato com discursos inflamáveis pedindo que a Petrobras investisse em perfurações de poços na plataforma continental da Paraíba. Defendeu, inúmeras vezes, pautas urgentes da Paraíba como a modernização do aeroporto Castro Pinto e dos demais aeroportos paraibanos, a celeridade na Transposição das Águas do Rio São Francisco, o ramal da Ferrovia Transnordestina, a construção da Refinaria, do Porto de Águas Profundas, da revitalização da Sudene para a Paraíba, entre outras agendas futuristas.

Com o mesmo espírito, trabalhou intensamente para aprimorar a regulação do mercado de cartões de crédito, os avanços na Educação, do ensino básico à universidade e o crescimento econômico da Paraíba.

Denunciou no Senado, a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2009, atacando corajosamente a Lei Rouanet, de incentivo fiscal à cultura, pois a lei discriminava o Nordeste e, especialmente, nossa pequenina Paraíba. Receberíamos migalhas, enquanto o eixo Sul e Sudeste seria contemplado com mais de 80% dos recursos e ao nosso estado restaria apenas 0,5% dos recursos destinados à Música, Teatro, Artesanato e atividades culturais de modo geral.

Em 2012, publicou a obra “Meu tempo sobre o tapete azul”, que reúne uma série de discursos e proposituras entre 2010 e 2011. O trabalho que teoricamente é uma prestação de contas do seu mandato como senador se caracterizou como uma agenda pioneira para o desenvolvimento da Paraíba.

Roberto Cavalcanti atuou de maneira brilhante e inovadora na defesa da Paraíba e do povo paraibano, sendo admirado e constantemente elogiado por destacados senadores como Cristóvão Buarque, Marco Maciel, Pedro Simon, Tasso Jereissati, entre outras sumidades do Congresso Nacional.

Não fosse a onda de extremismo e populismo que ainda permeia a política paraibana, talvez Roberto ainda estivesse inteiramente dedicado à vida pública, buscando caminhos em Brasília para a saída da profunda crise que atormenta o Brasil, pois sempre buscou um novo conceito de se fazer política, priorizando atenções no capital humano e na igualdade de oportunidades.

Sem perder tempo com brigas intestinas e divisões eleitorais, sempre criticou a eterna pauta política que tem engessado o desenvolvimento do nosso estado, projetando uma “Paraíba do Futuro” onde as pessoas e as empresas não fiquem na eterna dependência econômica dos governos.

Se a voz pioneira de Roberto fosse ouvida, é provável que não estivéssemos mergulhados na maior crise política e econômica da história deste país.

Seguidor da máxima Aristotélica de que a Política é a “arte das artes”, desenvolveu singular capacidade de se antecipar aos fatos.

De modo a validar sua visão antecipatória, transcrevo uma frase lapidar de um dos seus mais brilhantes discursos: “Ser pobre e viver na miséria não é sina traçada por Deus, porque o Criador quer o melhor para todos os seus filhos”.

Quase sete anos depois de sua despedida do Senado, sua passagem ainda deixa uma lacuna bastante sentida. Não por acaso, milhares de amigos, admiradores e assíduos leitores de seus artigos semanais fazem reiterados apelos para o seu retorno à atividade política, para que possa se inserir de maneira mais efetiva nas decisões que mudarão o futuro dos paraibanos e dos brasileiros.

Como recordar é viver, o Baú do Ninja vem hoje contar um pouquinho dessa contribuição primorosa que deve ser aproveitada pela futuras gerações que almejam representar dignamente a Paraíba no cenário nacional.

Roberto Cavalcanti fez a diferença no Senado. E que falta ele faz.

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Henrique Lima

É graduado em Comunicação Social e Licenciatura em História pela UFPB e Bacharel em Direito pela Faculdade Maurício de Nassau. Amante dos bastidores da política, há sete anos atua como repórter do programa Correio Debate, na rede Correio Sat.

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