21 de Abril de 2019 - 22:15
14/11/2018 - 20h45 HÁ QUASE QUATRO ANOS

Baú do Ninja relembra dia em que Adriano Galdino desbancou Ricardo Marcelo e se tornou presidente da ALPB em eleição que teve até urna quebrada

Por Blog do Ninja

O dia era 1º de fevereiro de 2015. Há quase quatro anos, após uma sessão tumultuada, que durou aproximadamente seis horas, o deputado estadual Adriano Galdino (PSB) se tornava presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, tirando do poder o deputado estadual Ricardo Marcelo, que já tentava emplacar seu quarto mandato à frente do comando do Legislativo Estadual.

E hoje, nesta quarta-feira (14), véspera do feriado da Proclamação da República, o Baú do Ninja relembra esse dia festivo, que mudou a realidade do legislativo da Paraíba.

RELEMBRE

Depois de uma sessão preparatória tumultada, o deputado estadual Adriano Galdino (PSB) foi eleito presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba na tarde de um domingo (1º de fevereiro). Ao todo, o deputado obteve 19 votos contra 17 para o deputado estadual Ricardo Marcelo.

Adriano Galdino (PSB) nasceu em Campina Grande no dia 21 de outubro. Engenheiro e advogado, foi vereador e depois prefeito do município de Pocinhos. Foi eleito deputado em 2010 e reeleito nas eleições de 2014. O deputado também ocupou a Secretaria de Estado de Governo e era o candidato do governador Ricardo Coutinho para a presidência da Casa de Epitácio Pessoa.

Em seu primeiro discurso, antes de dar posse à Mesa Diretora eleita com ele, Adriano Galdino considerou que sua eleição foi um processo doloroso, difícil, “mas sai vitorioso”. “A Assembleia agora tem um presidente genuinamente do povo”, declarou.

A chapa eleita com Galdino foi composta pelos deputados João Henrique (vice presidente), Tião Gomes (2º vice-presidente), Anísio Maia (3º vice-presidente), Zé Paulo (4º vice-presidente), Nabor Wandeley (1º secretário), Caio Roberto (2º secretário), Jeová Campos (3º secretário), Buba Germano (4º secretário),  Doda de Tião (1º suplente), Galego Sousa (2º suplente), Inácio Falcão (3º suplente), Genival Matias (4º suplente).

A sessão de eleição da Mesa Diretora foi iniciada depois seis horas e meia do começo da sessão de posse dos 36 deputados, que aconteceu na manhã de domingo. A votação durou exatamente meia hora e a contagem dos votos, coordenada pelo deputado Manoel Ludgério (PSD) teve início às 16h30 (horário local), com o processo completo se encerrando às 16h36h (horário local).

Houve muito debate em torno do uso ou não do sistema eletrônico da casa, o que foi descartado porque o sistema foi danificado durante o processo de cadastro dos deputados novos para que estivessem aptos a usar o voto eletrônico. Com isso, o deputado Ricardo Marcelo chegou a anunciar que a eleição estava adiada para a segunda-feira (2), mas a decisão de realizar a eleição com cédulas de papel foi fruto de um acordo entre deputados membros das duas chapas candidatas.

Urna quebrada

Ricardo Marcelo apontou o deputado Tião Gomes (PSL) como responsável pelo problema que foi registrado no sistema. “Não quebrei o equipamento, apenas deliguei”, disse o deputado. “Essa eleição tinha tudo pra ser fraudada. Nenhum deputado foi chamado para acompanhar esse processo na urna”, justificou.

A possibilidade do uso da cédula de papel para eleição da mesa diretora já tinha motivado confusão na sessão preparatória para a eleição. Foi preciso convocar seguranças para controlar a situação porque houve confusão depois que o deputado Ricardo Marcelo rejeitou um requerimento apresentado pelo deputado Jeová Campos (PSB), que solicitava a votação manual. Ricardo Marcelo determinou que a votação acontecesse através do sistema eletrônico. Irritado com a decisão, Jeová chegou a dar um murro na mesa.

Com a decisão de realizar a eleição de forma eletrônica, foi estabelecido um intervalo, para que todos os deputados passassem pelo cadastro que habilita a votar utilizando o painel eletrônico. Foi durante esse processo de cadastramento que houve um dano ao sistema.

O deputado Adriano Galdino (PSB), que é candidato à presidência da ALPB, considerou um absurdo a suspensão da sessão. “A lei determina que a eleição aconteça no dia 1º de fevereiro, temos que respeitar o que prevê o regimento interno”, justifica. Ricardo Marcelo também é candidato à presidência da mesa.

Confiança questionada

Enquanto uma parte dos deputados defendia que o voto nas cédulas de papel fosse utilizado para garantir lisura ao processo, outra parte destacava que o Regimento Interno prevê o uso do sistema eletrônico. A discussão começou durante o intervalo de cerca de meia hora determinado após a solenidade de posse e continuou com o início da sessão preparatória para a eleição. Depois de cerca de 20 minutos de embate, a sessão foi suspensa para que o clima se acalmasse.

Veja a composição da Assembleia daquela legislatura.

Segundo o deputado João Gonçalves (PSD), a justiticativa apontada é que “não foi feita biometria dos deputados, o sistema não foi implantado, só é possível votar sim ou não”. Diante deste quadro, João Gonçalves avalia que não havia segurança para realizar a eleição através do painel eletrônico. Concordando com ele, o deputado Gervásio Maia (PMDB) acreditava que “os deputados deveriam ter feito uma espécie de vistoria no painel”.

Já o deputado Renato Gadelha (PSC) avalia que o voto através de cédulas de papel é um retrocesso. “Foi implantado um painel para dar segurança ao voto, não vamos aceitar esse retrocesso”, declarou. Quem também saiu em defesa do voto eletrônico foi o deputado Ricardo Marcelo (PEN), que defendeu que “o processo eletrônico foi instalado na Casa e já foram feitas várias votações”.

Um embate entre os deputados Ricardo Barbosa (PSB) e Trócolli Júnior (PMDB) esquentou ainda mais a sessão quando Trócolli declarou acreditar que “a bancada governista quer voto em cédula para marcação dos votos”. Em resposta, Barbosa chamou a declaração de irresponsável. Já o deputado João Henrique (DEM) defendeu uma terceira proposta: “voto aberto para solucionar o problema”.

Presidência da sessão

Outro ponto que precisava de definição antes da realização da sessão de eleição gerou descontentamento de parte dos deputados. O deputado Gervásio Maia (PMDB) se apresentou falando em nome de outros 20 deputados sugerindo que o deputado Ricardo Marcelo não presidisse a sessão de eleição, já que ele é candidato à função.

Concordando com Gervásio, Adriano Galdino (PSB), que também se apresenta como candidato à presidência da casa, destacou que a situação é semelhante ao presidente do TRE ser candidato numa eleição presidida por ele. Apesar desses questionamentos, o Ricardo Marcelo se manteve na presidência da sessão. As informações são do portal G1

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Henrique Lima

É graduado em Comunicação Social e Licenciatura em História pela UFPB e Bacharel em Direito pela Faculdade Maurício de Nassau. Amante dos bastidores da política, há sete anos atua como repórter do programa Correio Debate, na rede Correio Sat.

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