22 de Março de 2019 - 16:04
09/12/2018 - 21h28 COMOÇÃO

Morte de assentados na Paraíba mobiliza classe política, que pede justiça; ALPB e Governo do Estado emitem notas

Por Blog do Ninja

O Governo do Estado, o governador eleito João Azevêdo (PSB) e o presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Gervásio Maia (PSB), se sensibilizaram com a morte violenta de dois assentados na Paraíba e repudiaram as execuções. Até mesmo integrantes da política nacional também se revoltaram com os assassinatos.

O governador Ricardo Coutinho (PSB) afirmou, na tarde deste domingo (09), durante o velório do integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra da Paraíba (MST-PB), José Bernardo da Silva, assassinado, na noite do último sábado (08), em Alhandra, que irá até as últimas consequências para punir os mandantes e os executores dos dois trabalhadores sem-terra.

Em nota, Ricardo prometeu empenho nas investigações

Veja na íntegra a nota.

NOTA

O Governo do Estado vem lamentar a execução de dois militantes do Movimento Sem-Terra na Paraíba, José Bernardino da Silva e Rodrigo Celestino, neste sábado (8), em Alhandra. E informar que o governador Ricardo Coutinho, que revelou profunda indignação contra o ato, determinou imediatamente à Secretaria de Estado da Segurança e Defesa Social que se tomasse todas as providências possíveis para alcançar o mais rápido desfecho das investigações e, consequentemente, responsabilização dos culpados.

Ainda que não seja possível dizer no momento se tratar de motivação social, não há como permanecer indiferente a este gênero de violência que volta a crescer assustadoramente no Brasil.

O Brasil precisa repassar em sua consciência todos os fatos históricos que o fizeram chegar até aqui e reprovar tudo aquilo que inspire intolerância seja contra os movimentos sociais, ou, em qualquer esfera, contra a vida.

É neste sentido, inclusive, que nesta segunda-feira (10), o Governo do Estado estará entregando pela primeira vez a Medalha da Liberdade, recém instituída, para Luíza Erundina, Elizabeth Teixeira, um símbolo de luta dos movimentos rurais, e Marielle Franco (in memorian), bem como assinando atos contra a tortura e em favor da Escola Sem Censura, a fim de valorizar toda a existência em favor da igualdade, da liberdade de pensamento, da democracia e, especialmente, dos direitos humanos.

Só assim concebemos uma sociedade que possa viver coletivamente em busca de respeito, da paz e do progresso.

O governador eleito João Azevêdo também emitiu uma nota

Veja na íntegra a nota.

NOTA

Quero expressar minha completa indignação e, ao mesmo tempo, lamentar profundamente a execução de dois militantes do Movimento Sem-Terra na Paraíba, José Bernardino da Silva e Rodrigo Celestino, metralhados covardemente na noite deste sábado, em acampamento, no município de Alhandra.

Mesmo sem sabermos ainda a real motivação da atitude criminosa, é completamente inadmissível e inacreditável que, após tantos avanços no respeito às lutas sociais, estejamos ainda sujeitos a atos de barbárie como este. É contra este estado de intolerância que precisamos ficar alertas para não deixarmos que atentados como estes voltem a se tornar algo banal em nossa sociedade.

Confiamos plenamente no trabalho das polícias de nosso Estado no processo de investigação e identificação dos responsáveis pelo crime e, posteriormente, na consciência do dever de justiça que deve pautar as decisões dos julgadores.

E reforçamos nossa vigilância na defesa de uma sociedade cada vez mais democrática, que respeite as diferenças, as necessidades de cada um, que exercite a paz entre as relações humanas e, especialmente, valorize a vida.

Ao MST e à família dos militantes assassinados, toda minha consternação e solidariedade, bem como o compromisso de continuar sendo um incansável defensor dos direitos à liberdade, ao trabalho e à vida.

João Azevedo

Governador Eleito da Paraíba

O presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Gervásio Maia (PSB) também repudiou as execuções que aconteceram na noite deste sábado (08), com dois trabalhadores do Movimento Sem-Terra da Paraíba (MST), em Alhandra.

Gervásio afirmou que o episódio representa uma grave violação dos direitos humanos e um atentado ao Estado Democrático de Direito.

Veja na íntegra a nota.

NOTA

A Assembleia Legislativa da Paraíba manifesta seu pesar e indignação pelo assassinato dos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Bernardo da Silva e Rodrigo Celestino, ocorridos na noite deste sábado (8) no acampamento Dom José Maria Pires, no município de Alhandra.

Na ocasião, se solidariza com as famílias das vítimas, com os camponeses e todas as lideranças do MST e, ao mesmo tempo, repudia todo tipo de violência contra os trabalhadores rurais.

Este lamentável episódio representa uma grave violação dos direitos humanos e um atentado ao Estado Democrático de Direito.

Gervásio Maia
Presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba

A presidente nacional do PT também se consternou com a tragédia e fez questão de vir pessoalmente à Paraíba para participar do velório.

Em breve discurso, Glesi lamentou o assassinato de Orlando e Rodrigo Celestino (velado pela família em cerimônia restrita na capital do Estado). O crime ocorreu na noite de ontem no acampamento Dom José Maria Pires, em Alhandra. Além disso, ela afirmou que o histórico ded exclusão existente no país gera episódios violentos como o que vitimou os dois paraibanos. Em sua argumentação, Gleisi acrescentou que o governo de Jair Bolsonaro não terá como desenvolver o país porque não promoverá a paz social.

“Um companheiro disse que é triste ver uma criança com fome. E os companheiros que enfrentam essa situação pagam com a vida. Um país que começou dizimando seus índios, explorando os negros e excluindo os pobres. Como um país como esse pode dizer que está caminhando para o desenvolvimento? Não vai ter desenvolvimento. Não vai ter paz social enquanto uns passam fome e morrem buscando acesso à comida. Não adianta quem está no governo falar de paz social. No ar-condicionado, é fácil. Quero ver falar de paz social aqui onde você tem que sobreviver no serviço duro e lutando para não morrer. Não adianta o presidente eleito dizer que vai ter que matar, que vai ser na bala o MST e MTST, que é vagabundo. Se tem vagabundo, pode ser ele, que está recebendo de conta irregular, que não prestou contas até agora e ganhou a eleição em cima de mentiras”, disse ela.

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Henrique Lima

É graduado em Comunicação Social e Licenciatura em História pela UFPB e Bacharel em Direito pela Faculdade Maurício de Nassau. Amante dos bastidores da política, há sete anos atua como repórter do programa Correio Debate, na rede Correio Sat.

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